
Tenho ouvido repetidamente. Estás a fazer o que é melhor, fizeste o que devias ter feito. Só tu o podias fazer. Mas é pesado de mais, estou esgotada. A sós comigo, todos os dias me interrogo se de facto fiz o melhor. Chegam as dúvidas e as incertezas. Retirar uma pessoa da sua casa, mesmo sabendo que não está em condições de se bastar a si própria foi uma decisão difícil e mais difícil se essa pessoa nos é querida, se essa pessoa faz parte das pessoas que mais gostaram de mim. Vê-la, é por vezes um tormento porque me fala sempre em voltar para a sua casa. Era o que eu mais queria, mas infelizmente não pode ser, eu sei isso, mas ela não sabe, ela não tem a noção da doença que tem. Sofro mais do que ela dizem-me. Uma angústia diária que se agrava aos fins de semana. Não ir visitá-la está fora de questão embora já me tivessem aconselhado a fazê-lo, pelo menos durante um tempo. Quando será que aceitarei sem dúvidas esta situação, este sentimento de que afinal fui eu que tive de decidir por ela? Exactamente pela nossa ligação, pois sendo tia ela foi mais do que isso. Não tendo tido filhos ela soube ser como uma mãe, uma segunda mãe. Sorte a minha. Amou os meus filhos como seus netos. Sorte a deles, ganharam mais uma avó. Por tudo isto coube-me a decisão e viver agora este tormento. Terei feito o melhor? Como eu gostava de ter a certeza.
8 comentários:
Mariinha querida
Não é fácil decidir por outra pessoa, mas sabes que essa pessoa não está em condições de tomar decisões, como também sabes que essa doença requer cuidados durante 24h, nem tu nem ninguém por muito que a ame tem condições para tal, se tens a certeza que (certezas ningém tem) está num lugar onde é cuidada com carinho, por muito que te dói tenta pensar no bem dela, é dificil ouvi-la pedir para a trazeres possivelmente até vai chegar o dia em que vais ter de dizer não, ou simplesmente mentir e, isso é doloroso demais para ti e para ela nos pequenos momentos de lucidêz, mas infelizmente é daquelas partidas que a vida nos prega e não estamos preparadas, como é dificil, ou impossivel de existir preparação para tal situação quando amamos esse alguém.
Amiga acho que tudo te possa dizer penso que não vai aliviar teu sofrimento.
deixo-te um abraço muito apertado quero que o sintas, sei que é dificil, mas pode ser confortante.
beijinho e uma flor
Ai Mariinha, queria muito que encontrasses paz nesse coração. Claro que fizeste o melhor, nem há dúvida alguma, mas fica serena que seguiste o caminho certo..
Beijinhos grandes***
Querida Mariinha, estás na posição mais ingrata de todas. A posição de quem tem que tomar uma atitude e agir. Falar é sempre fácil, quando não se tem qualquer responsabilidade sobre a pessoa.
Tu fizeste o que achavas melhor, por isso não tens que sentir culpas. Estás presente, visitas, acarinhas, preocupas-te e isso diz tudo sobre ti. Fizeste a coisa certa, sim.
Um grande beijo de força.
Mariinha, essa dúvida vai persistir por muitos e longos tempos... vamos sempre pensar: e "se"?! eu sei que o faço, mesmo depois de volvidos 2 anos sobre a morte do meu pai e 15 da minha mãe... ficamos sempre a pensar se podíamos ter procedido desta ou daquela forma teria sido melhor... mas essa resposta não existe!
Tens que pensar que fizeste o que te ditava o coração e a consciência e fizeste o melhor que soubeste!
Querida, podes ter a certeza que tomaste a decisão certa.
Como sabes a minha Mãe teve o mesmo problema/doença. Estes doentes precisam de cuidados especiais e o melhor mesmo é o internammento, isto tendo a certeza que é um lugar credivel onde todos os cuidados estão assegurados.
A tendencia é a tua tia ir piorando e chegará a altura que ela pode falar na casa e no passado mas vai estar completamente esquecida do mais recente. Foi o que aconteceu com a minha Mãe.
Querida não te martirizes. Podes ter a certeza que foi o melhor para a tua tia.
Beijinhos.
Querida Mariinha, como eu te percebo tão bem...uma decisão desse tipo, por mais acertada que possa ser não nos alivia a dor que sentimos.Mas acredita minha querida, que foi a decisão mais acertada que tomaste! Não te martirizes porque só te estás a enfraquecer,e o momento ´"exige-te" que sejas forte!
Um abraço bem forte e que consigas "equilibrar" esse barco tão à deriva. Gosto muito de ti!
Minha querida,
Eu não sou ninguém para te dizer se a decisão foi a certa ou errada. Mas vendo a tua preocupação mostra-me o amor que sentes pela tua tia.
E quando amamos, colocamos sempre o bem estar do ente querido acima de tudo!
Não sei as dúvidas deixarão de existir mas sei que o amor, esse, é indestrutível e ela sabe-lo :-)
Muito obrigada a todos.
Um beijinho
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