
Sempre ouvi isto. Será que o destino está traçado? É um tema discutível, pois há muita gente que não acredita, defendem que quem faz o destino são os próprios com as suas escolhas de vida e com a sua maneira de ser. Será que tudo o que me tem acontecido já estava destinado, ou será que estou a passar por estes problemas essencialmente devido à minha forma de ser como pessoa. Não tinha qualquer experiência de tratamento de familiares idosos, porque os meus avós foram cuidados pelos meus pais e tios e quanto aos meus pais, a forma como partiram não os fez chegar a idades avançadas. Era inexperiente na matéria. A vida encarregou-se de me pôr a prova e logo em dose tripla. Dois idosos do lado do meu pai e uma do lado da minha mãe. Não têm filhos são sobretudo os sobrinhos que são responsáveis por eles, já que os irmãos vivos estão velhos. Assim, estou com uns primos numa situação e com outros primos na outra. É como se pertencesse a duas firmas familiares, mas duas firmas de afectos. Estou pior que os meus companheiros porque não vivo na minha terra, e caiu-me tudo em cima ao mesmo tempo. Eles pertencem só a uma, mas eu pertenço às duas. É dose. Os ultimos dias têm sido um desespero. Ontem a minha tia solteira deu finalmente entrada numa casa de repouso, porque a situação atingiu o limite. Os meus primos por serem mais novos, estavam à espera que eu me enchesse de coragem e avançasse. Marquei-lhe uma consulta para o Neurologista, não fui trabalhar na sexta feira, falei primeiro com o médico, contei-lhe a actual situação, pedi-lhe ajuda, ajuda que ele entendeu melhor que ninguém mas disse que os médicos particulares pouco ou nada podem fazer, resumindo tem de ser a família ou a Segurança Social. A seguir fui buscá-la a casa e acompanhei-a à consulta. Perdeu desde Agosto 4 quilos, num ano perdeu 15. Pesa agora 46 quilos. O médico disse-lhe que tinha de fazer uns exames para se saber porque razão estava a perder tanto peso e que tinha no dia seguinte que ir fazer vários exames a uma clínica. Nesse dia ao jantar dei-lhe a medicação que ele receitou, na manhã seguinte ao pequeno almoço também, e com a ajuda do meu filho mais velho e de um primo, saímos com ela para fazer os tais exames, levava no meu carro uma mala com o indispensável. Coisas minhas e outras que tive de comprar, para não me pôr lá em casa a procurar roupa e também porque tudo o que por lá está tem de ser lavado não estava em condições e alguma roupa como calças e saias caiem-lhe de tão largas. Foi difícil, mas apesar de tudo esperávamos pior. Não queria mas acabou por ficar. Está numa Casa de Repouso privada, das melhores dos arredores. Parece um hotel, mas um hotel muito caro. É pena que a maioria das nossos idosos não possa estar em lugares como aquele. É um edifício recente, construído para o fim a que se destina. Não há escadas, tudo funciona em pisos térreos, com grandes janelas e portas para um grande espaço exterior, lindas vistas, a Serra de Montejunto está perto, tem muito sol, muita claridade, jardim interior, cabeleireiro, animação, ginástica, fisioterapia para quem necessita e as refeições podem ser escolhidas no menú diário. Tem médico e serviço de enfermagem 24 horas por dia. Ontem depois de a deixarmos as coisas correram bem, ao almoço comeu tudo e ao jantar também, começou imediatamente a conversar com duas senhoras. Liguei para três vezes. Hoje vai lá um dos meus primos, vai vê-la sem ser visto, estamos a aguardar uns dias para ela se adaptar ao novo ambiente, eu estou a pensar ir lá talvez na próxima 5ª feira ou no sábado, vou enfrentar a minha querida "fera". Por muito bem entregue que esteja nós vamo-nos revezando e ela vai ter sempre pessoas da familia a visitá-la, esse sobrinho que trabalha na zona vai passando por lá durante a semana. Só estamos à espera que se adapte. É a primeira pessoa da minha família próxima que vai para um lar, mas também ninguém até agora tinha tido Doença de Alzheimer.
Não imaginam a minha preocupação, o meu dilema até me decidir. Nunca tive segredos para a minha tia, eu era a pessoa em quem ela mais confiava e tive de lhe mentir e depois lá tive de arranjar coragem para me impôr. Foi difícil. Meus amigos não tenho tido tempo nem cabeça para nada, vamos ver se a pouco e pouco as coisas entram na normalidade. Temos muitos problemas a resolver, cuidar da casa que está uma lástima, assuntos com os inquilinos, pois dizem-nos que um se aproveitou do estado de demência dela e não paga a renda, problemas e mais problemas, mas para mim o pior, o mais difícil de todos já está. Tudo o resto é secundário. Com ela a ser cuidada tirei um peso de cima, sei que toma os remédios, que a sua higiene é feita, que se alimenta, que está distraída e que não anda na rua desorientada. Nenhum dos problemas que vamos ter se comparam com os que já tivemos porque sempre recusou pessoas para cuidar dela e não queria sair de sua casa. Mas tenho a outra firma familiar de afectos, onde os problemas são muitos e graves também. Aos meus primos, sócios e companheiros desse lado disse-lhes, aguentei, tratem vocês agora de tudo, que eu tenho de estar temporariamente vocacionada para o outro lado, senão ainda dou em doida. Um idoso totalmente dependente é difícil, imaginem três e ao mesmo tempo. Será mesmo verdade, que "Onde tiveres de ir, não podes fugir?". Eu teria mesmo de passar por tudo isto? Utilizando outro provérbio "Deus escreve direito por linhas tortas". Eles não tiveram filhos, ao terem a sorte de ter sobrinhos dedicados, que vão fazendo o possível e o impossível para que nada lhes falte, nem tratamentos, nem cuidados e principalmente afecto e carinho, não será uma forma de serem compensados? Estão a ver que hoje me deu para reflexões.
Não imaginam a minha preocupação, o meu dilema até me decidir. Nunca tive segredos para a minha tia, eu era a pessoa em quem ela mais confiava e tive de lhe mentir e depois lá tive de arranjar coragem para me impôr. Foi difícil. Meus amigos não tenho tido tempo nem cabeça para nada, vamos ver se a pouco e pouco as coisas entram na normalidade. Temos muitos problemas a resolver, cuidar da casa que está uma lástima, assuntos com os inquilinos, pois dizem-nos que um se aproveitou do estado de demência dela e não paga a renda, problemas e mais problemas, mas para mim o pior, o mais difícil de todos já está. Tudo o resto é secundário. Com ela a ser cuidada tirei um peso de cima, sei que toma os remédios, que a sua higiene é feita, que se alimenta, que está distraída e que não anda na rua desorientada. Nenhum dos problemas que vamos ter se comparam com os que já tivemos porque sempre recusou pessoas para cuidar dela e não queria sair de sua casa. Mas tenho a outra firma familiar de afectos, onde os problemas são muitos e graves também. Aos meus primos, sócios e companheiros desse lado disse-lhes, aguentei, tratem vocês agora de tudo, que eu tenho de estar temporariamente vocacionada para o outro lado, senão ainda dou em doida. Um idoso totalmente dependente é difícil, imaginem três e ao mesmo tempo. Será mesmo verdade, que "Onde tiveres de ir, não podes fugir?". Eu teria mesmo de passar por tudo isto? Utilizando outro provérbio "Deus escreve direito por linhas tortas". Eles não tiveram filhos, ao terem a sorte de ter sobrinhos dedicados, que vão fazendo o possível e o impossível para que nada lhes falte, nem tratamentos, nem cuidados e principalmente afecto e carinho, não será uma forma de serem compensados? Estão a ver que hoje me deu para reflexões.

10 comentários:
Mariinha, antes de mais muita força neste momento! Ter idosos dependentes a cargo é das coisas mais complicadas que conheço...
E sim, acredito que há uma parte dos acontecimentos da nossa vida que estão pré-definidos, os resultados é que podem diferir consoante a nossa abordagem, o nosso livre-arbítrio (coisa em que acredito). No fundo, julgo que estas coisas acontecem por uma razão: para nos ensinar a sermos melhores do que somos! A pormos o nosso egoísmo de parte, a controlar os nossos defeitos. O grau de sofrimento que temos com estas coisas será proporcional à nossa capacidade de o aceitar e ultrapassar!
Um beijo e um abraço bem forte minha querida!
Mariinha querida
Muita força amiga, é o que precisas neste momento, porque é um desgaste enorme, acredita.
Meu pai que partiu muito novo com cancro, esteve numa casa de saúde particular onde pagavamos 900 contos por mês isto em 1992.
Minha mãe abandonou-me tinha eu 8 aninhos, no entanto o único filho que ela criou, após ela ter uma constipação e ele perder 2 noites com ela no centro médico resolveu coloca-la num lar, eu nunca fui vista nem achada como filha,ia vê-la todos os dias e não aceitei que lhe passassem uma certidão de óbitos antecipada e tirei-a de lá,só lá esteve 15 dias, isto foi à 5 anos, hoje ela tem 85 anos, vai a todos os almoços de reformados, a todas as excursões e dança toda a noite nos bailes a que não pode faltar, sinto o maior orgulho por isso, acredita.
Se um dia ela estiver uma situação dessas que fique dependente,espero que não, aí sim terá que ir para um lar,pois os filhos não podem tomar conta dela.
Amiga muita força e uma abraço muito apertadinho quero que o sintas sei que é dificil mas pode ser confortante.
Beijinho fica bem.
Que lindo texto, minha querida! É tão triste e tão difícil termos de tomar essas decisões terríveis, não é? Os meus pais também (infeliz ou felizmente) não e deram esses trabalhos porque partiram cedo (de mais) e cheios de vida; mas tive de o fazer com a minha avó que me criou e foi muito difícil.
O que nos irá acontecer? Mas é como dizes: "Onde tiveres de ir, não podes fugir!"
Beijinho e coragem!
Mariinha, tu tens um coração enorme e nem imaginava por aquilo que estás a passar...Estou de coração partido só de imaginar o desgaste que estás a sofrer...
Cuida de ti por favor...ok?!
Beijinho grande e muita força..
Um bj e muita força nesta altura.
Naná; Flor; Carol; JS; Patrícia;
Obrigada pelo apoio. Não imaginam o que tem sido os meus dias, estou um trapo, porque ando a dormir pouco. Não tenho sono porque tenho andado muito nervosa e preocupada.As coisas não têm estado a correr muito mal, mas hoje de tarde a minha tia começou a dizer que se quer vir embora, que quer ir para casa. Vamos ver, porque para casa não pode voltar, porque ninguém a segura,e voltaríamos ao mesmo. Espero que, a pouco e pouco se vá habituando. Hoje esteve lá o meu primo e amanhã vai novamente, eu devo ir 4ª feira e no sábado. Entretanto do outro lado tenho um internado no hospital outra vez, foi de urgência bastante mal. Já deve ser a 5ª ou 6ª vez, em pouco tempo. Segundo o médico cardiologista numa das crises (falta de ar), poderá não chegar com vida ao hospital.
E estou assim, tenho de ir amanhã trabalhar mas de facto com o que eu tenho para resolver devia era ficar em casa. Bjs para vocês.
Mariinha querida,
Já esta participando do sorteio do meu blog?!
Bjss e uma maravilhosa semana!
http://toutlamour.blogspot.com
Que sufoco minha querida !!! E essas situações são tão desgastantes...nos últimos anos de vida a minha Mãe também esteve com Alzheimer e foi muito muito difícil eu e a minha irmã tomarmos a decisão de ter de a internar, porque a certa altura tem mesmo de ser...para o bem deles! :(
Agora imagino tu nessas situações...não te esqueças de pensar em ti também, sim?
Um abraço de conforto minha querida.
Querida Mariinha, eu já tinha dado pela tua falta, mas não sabia que andavas tão ocupada, querida amiga.
Sabes, revi-me um pouco nesta imagem da tua tia, pois como sabes não temos filhos...
Tomara que uma das sobrinhas, me coloque, numa casa de saúde do género que arranjaste para a tua tia e tenha tantos cuidados, como tu tens por esses teus tios, de ambos os lados.
Muita força, neste momento de grande cansaço e desgaste, para ti.
Querida Mariinha, tenho andado afastada e só ontem á noite fiz uma "visitinha " ao teu blog.
Não é nada fácil o que estás a passar, a minha Mãe morreu com Alzheimer e foi muito dificil. Por fim já não conhecia ninguém. Numa das minhas últimas visitas reconheceu-me por um segundo se tanto e depois mais nada.
A tua tia está bem cuidada nesse lar, fizeste o que tinhas a fazer,é
sempre uma solução difícil mas podes crer que é a melhor. Nesta fase da vida os nossos idosos precisam de cuidados que só uma casa de saúde lhes pode dar. Espero que a tua tia se vá acostumando e acabe por gostar de lá estar. Quanto aos outros idosos
também vão arranjar uma solução que seja o melhor para eles.
E sim, eu acredito no Destino.
Beijinhos e tanta descansar um pouco.
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